segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Muito além do Capitão América


“Olha, eu gosto de falar durante o filme”, disse.

“Eu também!”, completou minha prima. 

Com esse diálogo, que deixaria muita gente irritada, minha prima eu nos aquecíamos para assistir “Capitão América – o Primeiro Vingador”.  

Começa o filme.  A princípio, o silêncio nos primeiros minutos me deixa preocupada. Tudo bem que cenas burocráticas (e, na sequência, as previsíveis) até certo ponto são necessárias e justificáveis, mas convenhamos que uma dose de criatividade não cairia mal, ok Joe Johnston (Jumanji, Querida encolhi as crianças)? Mas tudo bem. Já esperávamos por isso.  

Cenas passando, chegamos num ponto em que tenho que creditar todo mérito a minha prima. Nosso passeio pela década de 40 ficou, sem dúvida, mais divertido a cada vez que ela adiantava uma cena, reação ou ação do filme. “Esse cara tem interesses escusos”. “Isso vai acabar mal”. “Ah, ele (Capitão América) vai usar essa porta com uma estrela desenhada como escudo, quer apostar?” E tem o beijo da mocinha, as frases de caráter (que eu apoio), as músicas triunfantes de fundo etc etc etc. E continuações de tendências, é claro, como o visual esquisitinho do vilão. Mas esse eu vou deixar pra você conferir by yourself. 

No meio dessas considerações, lembrei-me de um podcast sobre a construção de roteiros clássicos, incluindo os de cinema. Segundo o entrevistado, por volta dos 28 minutos de filme, acontece uma reviravolta na história: a raiva do personagem principal que o lança à aventura e à busca por justiça. Não posso precisar o tempo em que esse fato ocorreu, já que meu celular estava desligado, mas com certeza a morte do doutor cientista e a carinha de justiceiro do Capitão América aparecem no primeiro quarto de filme. 

Antes de avançarmos, preciso fazer um parêntese. É engraçado como ver cinema se tornou algo interessante de uns anos para cá. A boa transformação de percepção, que culmina na dificuldade natural de inserção no universo fantástico e absurdo das narrativas pela constante desconstrução das mesmas, gera algumas interessantes implicações. Por exemplo, alguém pode dizer que nossas histórias perdem toda a graça diante, digamos, dessas pequenas críticas. Não totalmente. Porém, considerar o filme interessante basicamente pelos comentários spoilers e não pelo enredo, com certeza, quer dizer alguma coisa.

Apesar de ter falado mal do longa, preciso reconhecer que ele acerta em alguns pontos, como o final, por exemplo. Mas o maior deles foi, sem dúvida, a solução para o drama que é a roupa ridícula usada por Steve Rogers. A propósito, os roteiristas deveriam pensar em algo semelhante para todos os super heróis...

A aparição de um membro da família Stark também foi bem oportuna. Aliás, o cruzamento de universos e personagens de HQs é uma grande ideia, mesmo para quem não entende nada de quadrinhos, como eu. Capitão América até me deixou com vontade de conhecer mais sobre os vingadores, em preparação para o lançamento da saga, no ano que vem. 

Falando em HQs, em dada cena, a mão do diretor para recriar o tom de desenho animado, como minha prima apontou, merece ser lembrado. E eu acho, sinceramente, que essa opção contribuiu positivamente para o filme, trazendo nostalgia, diversão e revelando o que a história realmente é - a alegria dos aficcionados em quadrinhos – e não uma narrativa com pretensões maiores. 

Por fim, preciso fazer mais duas considerações. A primeira é em resposta a alguns podcasters com alma de cinema. Capitão América até que é um personagem simpático e interessante. Prefiro a humildade dele à arrogância do Homem de Ferro. Mas se estamos falando de super heróis, realmente ele é um dos mais simplórios em termos de poder. 

Outra observação necessária diz respeito ao 3D. Que perda de tempo e dinheiro a aposta nessa tecnologia, que precisa evoluir muito ainda! Só em um momento eu perdi o fôlego com um efeito 3D.  E pagando cerca de 30% a mais no ingresso por isso. A economia pagaria o cupcake que comi depois, com tranquilidade. 

No fim, minha nota para o filme é 6. Passa, mas sem muito mérito.

sábado, 25 de junho de 2011

Duas virtudes e algumas considerações

Ninguém gosta muito de ser vigiado. Mas e quando o vigia é você mesmo?



Acho que uma das coisas mais difíceis de serem conquistadas na vida são a coerência e a constância. E digo conquistar, porque é como hábito: adquiri-se com o tempo; um tempo de atenção, reflexão, disciplina e, não raramente, de humildade.
Atenção e reflexão, pois a coerência e a constância são virtudes da análise. Se a vida passa batida por você, tudo se torna muito intuitivo e circunstancial. Porém, há coisas que precisam ser pesadas na balança, que variam de um caso para outro, que não estão certas apenas porque são praticadas pela maioria ou porque advêm de práticas consagradas pela tradição.
Para isso, acabamos nos tornando vigias de nós mesmos. É como Jesus disse: julgueis a vós mesmos, para não serdes julgados...
E por fim, vem a humildade. De forma prática, ser coerente implica manter atitudes que correspondam aos seus princípios (agora, nem vou entrar no mérito de quais seriam os corretos) a todo instante. Isso significa, por exemplo, se detestamos quando uma pessoa é grosseira conosco e somos impacientes quando alguém nos faz uma pergunta, estamos deixando de seguir essa virtude.
A conclusão a que eu chego é que dá trabalho viver assim. Mas é a forma digna.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Terra chamando Ego

A autoestima, comumente associada a aspectos positivos entre a gama de sensações experimentadas pelos seres humanos, parece causar preocupação a um grupo de pesquisadores da Universidade de Ohio, nos Estados Unidos, segundo matéria publicada no início de janeiro, no blog da revista Época. (http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI200828-15257,00.html)

Calma, eu não vou fazer nenhum discurso esotérico ou cogitar a possibilidade de espalhar a minha bela voz por aí, cantando uma musiquinha bem desafinada crente que estou “causando”. O que me vem à cabeça é a possibilidade de casar algumas considerações que já vinha fazendo durante algum tempo com dados de uma pesquisa científica.

A pesquisa consistia em indagar universitários americanos a respeito do que eles mais “queriam” e “gostavam”. Para isso deveriam enumerar, em ordem decrescente (utilizando números de 1 a 5), atividades favoritas e desejos, como sair com os amigos, receber o salário, fazer sexo, ter autoestima etc. Surpreendentemente, o quesito autoestima alcançou o ranking das preferências.

Em outro momento, foi aplicada uma prova que aparentemente mediria a capacidade intelectual dos participantes. Para os insatisfeitos com o resultado, seria dada nova oportunidade para que aumentassem a pontuação final. Segundo a pesquisa, os que optaram por fazer outra prova apresentavam uma atitude típica dos que tinham senso de merecimento mais elevado, portanto, bastante autoestima. Ou seja, para obter sentimento de valorização, valia investir mais do tempo e das energias.

Quando li essa matéria, logo associei a questão da autoestima apresentada ao surto de celebridades que vemos hoje. Grande parte das pessoas desejam se tornar mega pop stars e ter milhares de pessoas aos seus pés, quando não reconhecidas em cada canto do mundo. Mas essa sede de sucesso as torna, muitas vezes, totalmente dependentes da opinião alheia. Por isso, os escândalos são tão frequentes entre as celebridades: não fomos criados para sermos bajulados, mas para nos doarmos e honrarmos uns aos outros.

Na verdade, a adoração ao ídolo pop leva o próprio ídolo à desgraça em virtude dos excessos que o cercam, que o impulsionam e que o fazem beirar a certa instabilidade emocional.

É claro que a autoestima é boa no que se refere ao impulso trazido por ela a nossa satisfação como seres produtores de ideias e projetos através do reconhecimento que recebemos pelos semelhantes. E esse reconhecimento tende a nos mostrar que estamos no caminho certo. Mas esse é o ponto.

Podemos não ter atingido o status de celebridade, no entanto, muitas vezes prezamos mais a ideia de ter as demais pessoas aos nossos pés, nos elogiando, do que fazendo a coisa certa. Um bom termômetro para medir nossa motivação é a análise de quanto nos enfurece a contrariedade de informações, a advertência e injustiça recebidas. Se ainda desejamos dar a volta por cima em nome da crença na justiça, na verdade e do ideal de uma vida íntegra e com propósitos estamos no caminho certo. Se não, é preciso refletir.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Modestas considerações sobre a profissão de jornalista

Com diploma nas mãos, milhares de jornalistas, no mundo inteiro, buscam um lugar no mercado escasso e competitivo da comunicação. Mas competitivo que escasso, é verdade, porque os ramos de atuação da atividade de reinventam e se realocam, aproximando-se de outras profissões, como o Design Gráfico, a Informática e a Administração.

Outro agravante é a constatação de que o processo comunicativo, hoje, não está mais nas mãos de uma elite. Na verdade, essa realidade é muito positiva, uma vez que por meio de diversas ferramentas, como a internet, a transparência, o diálogo e o fluxo de informações se intensificam.

No entanto, para o jornalista, o desafio aumenta, já que precisa mostrar seu valor e relevância para um sociedade em que todos podem ser, de certa forma, jornalistas. Mas existem algumas prerrogativas que indicam a diferença entre um redator de notícias e o profissional de comunicação.

Na minha curta jornada como jornalista e com base na constatação da veracidade dos “toques” que uma professora da faculdade nos dava (e muitas vezes não entendíamos), faço algumas observações sobre o desafio do comunicador em plena era global, digital e online.


1- Ser jornalista é estar atento 24 horas, é ouvir conversa de corredor, elevador, de conhecidos e estranhos em busca de pauta.

2- Ser jornalista é ser um curioso ao extremo. Não raramente, as pessoas ao nosso redor estão até mais bem informadas sobre os recentes acontecimentos do que nós. Nossa missão é contornar isso e ir além: linkar os fatos, pesquisar a fundo e proceder à análise crítica.

3- Muita gente é capaz de escrever bem uma matéria, aliás, o jornalista, ao longo da jornada, vai encontrar muitas pessoas que escrevem melhor do que ele (o que é angustiante!). A diferença é que ele deve saber hierarquizar informações, dividir os fatos dos “achismos”, ser claro, coerente, conciso e objetivo para informar o leitor. Muita gente escreve com primor, mas deixa lacunas de informação ao longo do texto. Mas se o seu texto é simples e completo, com certeza é preferível.

4- Não precisa nem dizer: ler muito e escrever muito é essencial. No meu caso, sou uma devoradora da gramática; uma primeira leitura da matéria, muitas vezes, é só para reparar as estruturas frasais utilizadas pelo jornalista.

5- O comunicador, hoje, enfrenta um grande desafio de ser um profissional multitarefa. Portanto, os estudos constantes e as especializações já são pré-requisitos. No meu caso, ter feito um curso de manipulação de softwares gráficos foi um salva-vidas para o emprego atual. Idiomas e noções de administração (principalmente para exercer atividades de comunicação interna) também são importantes.

6- Uma vez foi me dito: quem pensa claro, escreve claro. Isso é muito verdade! Na hora de falar, precisamos escolher as palavras com cuidado e procurar acertar na concordância. Creio que essa atitude estimula o cérebro de alguma forma quando vamos escrever. O resultado da prática continuada é um texto mais claro e descrições mais acertadas e objetivas.

7- Grande parte do trabalho do jornalista reside na organização, principalmente na atividade de assessoria de imprensa em que as atividades do dia a dia são bem diversificadas. Sem organização as prioridades se perdem, junto com a credibilidade dos clientes. Mas nas redações não é diferente: sem uma agenda organizada os prazos se estrapolam e o jornalista fica mais estressado do que o de costume. Portanto, é melhor se estressar com uma rotina organizada do que com o nervosismo dos prazos apertados devido à falta de organização.

Essas são algumas notas que me vieram à mente recentemente, mas com certeza há muito mais considerações para serem feitas. Se você é jornalista (ou não) e está visitando este site, pode fazer também suas observações nos comentários e dividir sua experiência. Fique à vontade!





Ser ou não ser: as angústias de uma recém-formada


Interessante como o ser humano precisa de ritos de passagem. O casamento, o batismo, as festas de formatura. Todas elas marcam fases da vida e mostram que dali por diante as prioridades, as linhas de discernimento e o nível de maturidade não serão mais os mesmos; que um momento da vida se foi, outro está por vir e com ele se desenrolarão novos desafios.


A formatura de curso superior tem bem esse gostinho. A beca e o capelo nos vestem de um ar de nostalgia e bravura. Um caminho incerto e maravilhoso está logo à frente, mas não sabemos bem como trilhá-lo. Não somos mais crianças; também não sabemos bem como é ser adultos.

Um exemplo prático é como velhos hábitos ainda insistem em nos assombrar: como recém-formados, a postura do estagiário, temente e extremamente submisso, ainda é uma casca para o profissional que está surgindo cheio de força por dentro — repleto de sonhos e desejos por inovação e reconhecimento.

Desejo que me chamem de profissional de comunicação e não mais estagiária. Mas isso se consegue só com o tempo; quando me verão como profissional, para além das nomenclaturas.

Enquanto isso, já carrego um peso nos ombros: o peso da vida adulta, das idas ao banco, do controle da poupança, das cinco horas no trânsito. Era mais fácil carregar aquela mochila pesada no ensino fundamental. Pena que eu não sabia disso.

Hoje, porém, a minha glória pode ser muito maior. Eu assumo a responsabilidade, eu sofro, eu perco, eu ganho. E sou uma cidadã do mundo. Mas do que isso, minha esperança viva é ser uma cidadã dos céus. Porque tudo aqui é para meu aprendizado e crescimento; para que os frutos sejam eternos.

No fim, eu tenho certeza que vou passar pela linha de chegada sã e salva.

“Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós peso de glória, acima de toda comparação, não atentando não nas cousas que se veem, mas nas que se não veem; porque as que se veem são temporais, e as que se não veem são eternas.” (2 Co, 4:17-18).

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Mais do que ser contra o aborto - a necessidade de firmeza e contundência na abordagem da questão

O polêmico pastor evangélico, Silas Malafaia, atacou de novo. Em entrevista concedida ao apresentador Ratinho, na quarta-feira da semana passada, 13/10, — no que considero um momento de vitória para os evangélicos e principalmente para os que defendem a manutenção da vida, — o líder cristão apresentou alguns argumentos contra a prática do aborto. São esses:

1- Segundo o pastor, 99,999..% dos casos de aborto são relacionados à irresponsabilidade da mãe (banalização do sexo, prática de relações sexuais sem preservativo etc.
2- O feto não é um prolongamento do corpo da mulher (mas desenvolve-se em um local específico, reservado para sua permanência durante as 40 semanas), logo, nem a mãe teria o direito de interromper a gestação.

3- Ninguém tem direito pleno sobre seu próprio corpo. Segundo Malafaia, uma tentativa de auto-lesão seria considerada como crime (na verdade, pelo que andei pesquisando, não é bem assim).

4- Não se pode alegar que “as pessoas têm o direito de fazer o que quiserem”, pois essa defesa já estaria invalidada, uma vez que o feto não teria a chance de exercer o direito de escolha.

5- Nos casos em que a prática de aborto já é legalizada — risco de vida para a mãe e estupro ¬— Silas Malafaia defende, no primeiro caso, que uma escolha pela vida precisa se feita (portanto, esse caso é mais compreensível) e, no segundo caso, o melhor seria doar (o termo é péssimo, convenhamos) a criança.

6- Malafaia também mencionou pesquisas (li sobre uma delas no relatório de voto em separado do pastor Manoel Ferreira na Câmara dos Deputados; no Google você encontra) que apontam tendências de morte, suicídio e outros males a mulheres que realizam o aborto mais de uma vez.

Não estou aqui para defender o Silas Malafaia (mesmo gostando de suas pregações), até porque não concordo com algumas de suas abordagens como, por exemplo, a provocação em outdoors contra os homossexuais (mesmo que eu seja contra a prática) — sobre o assunto ler http://elidasuzana.blogspot.com/2010/10/vergonha-alheia-silas-malafaia.html. Mas ter alguém que se coloque como uma liderança firme contra ao aborto é mais do que importante.

Não dá mais para dizer que não concordamos com algo porque somos evangélicos ou porque tal prática não é boa. É preciso argumento, inteligência, autoridade e postura. É preciso tratar da questão como um problema moral e de saúde pública, mas com todas as precauções e respeito à cidadania necessários.

Agora, a acusação que o pastor fez contra Marina Silva me parece um tanto precipitada. Não é fácil para um presidente se posicionar sobre um tema tão polêmico como esse. Também não dá pra impor opinião própria a ninguém. Talvez o mais sensato seja realizar uma ampla campanha de conscientização a respeito dos malefícios da prática do aborto e depois deixar a condução do processo legal nas mãos do Congresso ou do povo, por meio do plebiscito.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Twitter: a gente se vê por ali

Pensar não basta, é preciso compartilhar. E em massa. Essa foi a impressão que tive ontem, enquanto assistia à entrevista concedida pela ex-candidata à presidência da república, Marina Silva, ao Jô Soares. A propósito, o bate papo foi divertidíssimo, com direito a cantadas do Jô, “fora” sutil e meigo da Marina e menção ao sucesso de Zezé Di Camargo e Luciano: “No dia em que eu sai de casa”. Vale a pena procurar o vídeo na Internet.

Deu pra entender por que os meus dedinhos ficaram coçando pra twittar em tempo real? Não é todo dia que você vê Marina fazendo piadinhas; logo ela que assume, normalmente, uma postura séria. Mas não pense que estou julgando. Eu achei ótima a entrevista justamente pela possibilidade de o telespectador poder vislumbrar esse outro lado da acreana, que só reafirma a postura que canalizou a confiança de quase 20 milhões de brasileiros e respeito de tantos outros.

O problema é que com a minha conexão lenta do jeito que estava não deu pra fazer grandes coisas. Além disso, uma amiga, que dispõe de Internet banda larga, já estava se dando o trabalho de registrar tudo na web (e muito bem!). Mas se você pensa que eu desisti, está enganado. Com mais ou menos 12 horas de atraso, — metade de um dia, ou seja, o tempo de delay de um telejornal em relação aos portais online — eu twittei algumas considerações .

Depois desses mil comentários (bem que a professora da minha banca de graduação disse que me empolgava demais com o texto e abordava “trocentas” coisas ao mesmo tempo), quero chegar ao ponto central da minha inquietação: o fato de não ter twittado acerca da entrevista de ontem me fez sentir excluída do ambiente virtual e comunicativo em que estamos inseridos; no qual você é uma voz ativa e participante enquanto compartilha a conhecidos e desconhecidos suas preferências, opiniões e insatisfações.

Mesmo que seja para um pouco mais de 60 seguidores (elemento que contribuiu para que meu Twitter fosse avaliado em apenas $17,22, segundo o site www.twalue.com).

Por outro lado, a conversa tête-à-tête não deve ser relegada a um nível inferior de importância, uma vez que pela Internet a eficácia da comunicação é dificilmente mensurável (e muitas vezes escrevemos para manter status). Na verdade, o “olho no olho” ainda é cheio de mistérios, gestos interpretáveis, réplicas, tréplicas e singularidades incríveis que valem muito a pena.

Aliás, no meu caso, que jornalista esnobaria uma fonte exclusiva (e confiável) de informação? E isso nenhuma busca no Google pode oferecer.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Uma boa ideia!?



Você que mora em Maricá já deve ter prestado atenção na frase acima. Infelizmente, parece que a ordem é essa: se não vai pela educação, vai pelo orgulho mesmo... Pra constar, pois na foto não dá pra ver: não há registros de pichação nesse muro.

De fato, a ideia é muito boa. Pena que para receber algum respeito a sua propriedade a pessoa também tivesse que escrever no paredão.

O único problema é “pixação”, com x. Só porque os caras são amadores?

Se tivesse algum pichador mais ousado (e conhecedor do bom português), diria que não estão falando com ele.

Pichação é diferente de arte. Você sabe.


P.S.: Desde muito tempo tinha vontade de tirar uma foto da referida “inscrição”. Até já tinha feito um comentário a respeito do conteúdo deste post, na rede social Facebook. http://www.facebook.com/home.php?#!/profile.php?id=100000701929920

P.S.2: Devo confessar que também tive dúvida quanto à grafia da palavra “pichação”. Procurando no Google achei um site bem interessante, que aponta 100 erros constantes cometidos pelos falantes da nossa língua tão bonita e complexa. É o http://www.algosobre.com.br/redacao/100-erros-comuns-em-redacao.html.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Esperar é


Esperar é como olhar no calendário, véspera de Natal ou de Páscoa, quando os adultos escondem os presentes e chocolates pela casa, só para ver a alegria dos pequenos em encontrá-los. Mas a diferença é que não existe calendário para o expectador.

Mas a boa notícia é que o pedido aguardado com tanto zelo e cuidado se torna real; não em dia marcado, mas em momento inesperado. Quando você não pensa mais “no que”, e sim no “por que” e “pra quê” deseja tanto alcançar aquilo que almeja.

Que fique claro que não falo dos espectadores da contemporaneidade, pois estes têm grade de programação e acesso à Internet, onde tudo se descobre.

Nós que esperamos, ao contrário, temos uma folha vazia, a ser preenchida com orações ao Pai; em paciência. O detalhe é que todo dia precisamos preencher uma nova folha. E a boa notícia, que as páginas antigas nunca se tornam esquecidas por Quem as lê.

Acima de tudo, esperar é descansar, mesmo que para isso seja necessário despender um grande esforço. É ter a confiança de que o “hoje” reserva preparação para um "amanhã" potencialmente melhor, por isso não acolhe tão depressa os desejos pedidos como raios de sol.

O "hoje" é dia nublado, porém feito com a fé de flores brotando.

E quando o dia chega... Ah... só beleza, alegria e festa. Vibra o coração do esperançoso sonhador.

Não pela flor.

Mas pelo prazer de capturar o perfume eterno, que se entranha na pele.

Aí, ele sabe que aprendeu o que realmente importa.

(Giuliana Azevedo)

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Hora livre? Que tal um roteiro cultural?

A visita guiada à Biblioteca Nacional (BN) é uma ótima programação se você estiver fazendo uma hora no centro do Rio. Aliás, só na Av. Rio Branco e arredores há uma série de centros culturais que valem a pena ser visitados, como o Centro Cultural da Caixa, CCBB, CCJF, entre outros. A visita à BN dura entre 30 e 40 minutos e custa apenas R$2 (pelo menos no dia em que eu fui). Isso mesmo! Mais barato do que um refrigerante!
Como o local não é um museu, a visita é mais voltada para explicações sobre o funcionamento da Biblioteca e curiosidades das obras guardadas (as mais interessantes ficam em cofre e só são disponibilizadas em caso de pesquisa justificada). Por exemplo: há um “facsimile” (reprodução idêntica ao original) da Bíblia impressa por Gutenberg. E ainda há muitas outras curiosidades, que você precisa conferir por si só...
As visitas guiadas acontecem três vezes por dia (creio que de segunda a sexta). Também há visitas especiais em inglês e para estudantes. Outra iniciativa bem legal é que a BN realiza atendimento ao usuário não residente no Rio de Janeiro, por meio de telefone, fax e e-mail. Site: www.bn.br.

Um último registro: você pode dar um pulo sozinho na Biblioteca ou organizar um passeio em família. Por que não? Quando eu realizei a visita, tinha um casal de fora do estado do Rio que estava com dois filhos pequenos. Fiquei realmente emocionada com a iniciativa dos pais e o bom comportamento das crianças, que tiveram a oportunidade de curtir um dia agradável, saboreando do conhecimento e se divertindo com o desenrolar de conversas saudáveis.

Não sei se você sabe, mas o escritor Carlos Drummond de Andrade era frequentador assíduo da Biblioteca Nacional. Como ele costumava sentar na mesma mesa pra fazer suas leituras, pedia a um funcionário para retirar a pessoa que estivesse ocupando o “seu lugar”. A mãe, então, brincou que se o escritor estivesse ali hoje, pediria para ele se retirar. Mas depois corrigiu o comentário lembrando que a ação poderia incorrer em um problema muito sério. Quem sabe não interromperia um momento criativo e de genialidade do poeta? Aí, acrescentou, em relação à filha:
“Depois ele poderia escrever um poema em sua homenagem, com o nome: A menina que sentou na minha mesa” (ou algo assim...).

E o que você costuma fazer quando tem um tempinho sobrando? Você curte um roteiro cultural? Dê a sua dica pra gente.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Cinco minutos

Ficha Limpa tem 44 registros até o momento
Até o momento de publicação dessa nota, se inscreveram no site do Ficha Limpa 44 candidatos às eleições 2010, entre deputados federais, governadores, senadores e presidentes. Nota: na sessão dos presidentes, só há registro de Plínio Arruda... Confira: www.fichalimpa.org.br.

Alimentos de meninas e meninos
Os alimentos preferidos dos meninos segundo uma pesquisa mostrada no Jornal Hoje: feijão, leite e guloseimas (em ordem de preferência). Das meninas: doces, balas, chocolates... Por que eu tenho a impressão que já sabia disso?

Imagens históricas do jornal Última Hora
O site Comunique-se anunciou que a partir dessa semana já estão disponíveis no site do Arquivo Público do Estado de São Paulo imagens de edições do periódico Última Hora, do jornalista Samuel Wainer, fundado na década de 50. Há fotos inéditas e históricas do jornalista com presidentes do Brasil, por exemplo. Confira: www.arquivoestado.sp.gov.br/uhdigital

Concurso de poesia
Acontece até o dia 24 de setembro o Concurso de Poesias “Educação: semente do futuro”. A temática deve ser desenvolvida em até 30 linhas e entregue na versão impressa (papel ofício) na Sala de Leitura, aos cuidados da Barraca das Letras, às sextas- feiras, das 14 às 20 horas. O endereço é Rua Domício da Gama, 120/103, Centro de Maricá, perto da Praça Orlando de Barros Pimentel. Além da poesia, os candidatos devem entregar um texto que conste breve resumo da sua biografia. Divulgação: Barraca das Letras.

Prêmio Benvirá de Literatura
O concurso é da editora Saraiva e destinado a autores já publicados ou não, de nacionalidade brasileira. O tema é livre e o texto, uma obra inédita de ficção. Além da publicação da obra, o vencedor receberá um prêmio de R$30.000,00 (trinta mil reais). Inscrições: até 30/11/2010, somente através do site www.benvira.com.br.

Barraco em entrevista
Lamentável a agressão física e verbal entre o jornalista Demóstenes Nascimento e o candidato ao senado no Acre, João Correia. O jornalista errou por ter se descontrolado e o candidato também, que não deixava o apresentador conduzir perguntas que o tirassem do foco da crítica aos opositores.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Os CTRLs da minha vida

A natureza, a indústria, os filmes são fontes de inspiração para muitas formulações metafóricas presentes no nosso dia a dia, constituindo-se, portanto, como modelos de análise e reflexão da realidade. Mas, hoje, o estilo de linguagem mais tangível para o homem pós-moderno, sem dúvida, é aquele interligado com o mundo tecnológico, mas especificamente a informática — já que alguns progressos da tecnologia se tornaram como verdadeiros mistérios (para mim é difícil compreender como algumas pessoas, simplesmente, puderam descobrir a existência das ondas magnéticas e outras propriedades físicas para construção de projetos grandiosos, como os satélites espaciais).

Calma, vou deixar tudo isso menos abstrato. Primeiro, é preciso dizer que a nossa geração não acha mais tão estranho ler um e-book, ou seja, um livro eletrônico. A princípio, esse tipo de leitura era um pouco incômodo pra mim e confesso: que ainda prefiro a companhia de um livro, da interface física. Mas a leitura na tela do computador, principalmente se o objetivo da tarefa é direcionado à produção acadêmica, apresenta inúmeras vantagens. Por exemplo: se você precisa encontrar uma palavra (que te remete a um trecho específico) dentro de um livro de 300 páginas é só apertar o CTRL + F. Depois que eu descobri isso minha vida mudou.

Aliás, os atalhos são invenções incríveis e eu poderia citar apenas alguns que conheço e uso mais como verdadeiras ferramentas “mão na roda”, ou melhor, no teclado: CTRL + C (copiar), CTRL+ X (recortar) CTRL + V (colar), CTRL + T ou CTRL + A (selecionar tudo), CTRL + Z (desfazer) etc.
Mas o problema é que na vida real não dá pra aplicar essa facilidade. E o que estou dizendo não é só uma metáfora não. Já tive vontade, de verdade, de dar simplesmente um CTRL + F pra poder achar alguma coisa no meu quarto. Não seria um máximo?

Esses dias, falando sobre o assunto em questão com uma pessoa, ela concordou comigo, mas sugeriu que se um atalho pudesse ser usado na vida real, esse seria outro: o CTRL + ATL +DEL. É, antes de achar alguma coisa, talvez seja preciso desfazer o caos primeiro.

E pra você? Qual atalho é um verdadeiro sonho de consumo?

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Cristianismo puro e simples *

Fé em boa consciência. Irrepreensão no que tange o objeto da sua crença. Hoje, questões pertinentes em estudos e debates precisam ser mais do que afirmações admiráveis, mas atitudes indispensáveis em uma sociedade ao mesmo tempo religiosa e incrédula. As pessoas estão cansadas de ver as conseqüências da predominância de uma “fé” inoperante, mesquinha, interesseira, hipócrita e preconceituosa. O nosso culto também é racional, e apesar de não ser superior em relação à fé que é necessária para a firmação de uma comunhão com Deus, se faz presente na constituição de uma criatura que foi feita para tomar decisões, para ser livre no que acredita e ver os frutos de uma crença viva, que se baseia em princípios eternos.

“ E também faço esta oração; que o vosso amor aumente mais e mais em pleno conhecimento e toda percepção, para aprovardes as cousas excelentes e serdes sinceros e inculpáveis para o Dia de Cristo, cheios de frutos de justiça, a qual é mediante Jesus Cristo, para a glória e louvor de Deus.” (Filipenses, 1:9-11). Ver também II Pedro, 1:3-11.

Sinceridade, Verdade e o bom uso desse conhecimento aliado ao amor é o que Deus espera de nós!


*Título do livro que reúne mensagens radiofônicas do teólogo e escritor C.S. Lewis, datadas do período da 2ª Guerra Mundial

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Verdade em pequeno frasco


Tudo o que eu amo

é quando Você é tudo o que Você é

E o que eu amo quando eu Te amo

é o que me faz Te amar mais e mais



(Giuliana Azevedo)

*Inspirado no texto "Confissões", de Agostinho

sexta-feira, 8 de maio de 2009

99 ºC

Saiu na revista Superinteressante do mês de março uma matéria bem curiosa com base em uma pesquisa publicada pelo Jornal de Neuropsicologia da University College, em Londres. Em linhas bem gerais, a revista dizia que o nosso cérebro, através de duas regiões distintas do córtex motor, reconhece diferenças entre duas imagens, uma bonita e outra feia. Já diante do neutro e o feio não houve atividade alguma, o que poderia significar desestímulo do cérebro diante de representações destas duas categorias ou que não haveria diferenciação entre o “ mais ou menos” e o “bem ruim”.
Saindo do campo da beleza, a questão da neutralidade pode gerar uma série de bolinhas em semi-ebulição (?). Há vantagem em não se mostrar partidário em uma discussão, se revelando neutro, portanto, e juntamente com essa não-exposição tornar a vida como páginas vazias, sem expressão?
Colocado contra a parede, de pé no meio do fogo cruzado, humilhado ou exaltado. Estes não são estados equivalentes a uma postura neutra (quando o neutro, claro, é sinônimo de falta de tomada de partido; estado em que os princípios morais não estão bem definidos ou não são evidenciados em plenitude por algum motivo). “Assim, porque não é morno e nem é quente nem frio, estou a ponto de vomitar você da minha boca...” (Ap, 4:16) Forte, né? Lição pra mim.

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Discussão muitas vezes tida como preconceituosa, as controvérsias sobre “cultura alta” e “cultura baixa” existem, e como já deve ser óbvio, a minha posição não será a mais moderninha a ser apresentada, aqui. Ok. Eu não entendo muito sobre o assunto, por isso não vou palpitar demais. O que sei é que alguns hábitos e práticas que um dia foram hobby de pessoas com alto poder aquisitivo, depois de um tempo se tornaram populares. Outras eram consideradas popularescas, cafonas e aos poucos conquistaram todas as camadas e até “status de profissão”. Mas a pura exteriorização, incentivo e comercialização do desejo (tá, hoje, a questão da moral está em baixa, e as pessoas frequentemente confundem princípios com cafonice) deveriam ser tratados com tanta normalidade? “O insensato não tem prazer no entendimento, senão em externar o seu interior” (Pv, 18:2)

sábado, 18 de abril de 2009

Punctum: ação, pressão, precisão




Esses são exemplos do punctum, ou momento decisivo, conceito desenvolvido por Roland Barthes, em "A Câmara Clara". Bom, a primeira foto é do meu irmão, e a segunda é minha. Mas a que eu quero destacar mesmo é a foto "top". O menino mandou bem...

sábado, 27 de dezembro de 2008

Qual é o seu valor?

Como já foi dito em outro post , valores são conceitos que recebem ênfase, portanto, se tornam dominantes ao ponto de ditar comportamentos e atitudes em geral. Os valores estão arraigados em nossa mente através da memória, da vivência, da educação. E na maioria das vezes é involuntariamente que determinam como procederemos diante de uma situação. Não é à toa que psicólogos procuram no passado de seus pacientes as respostas para os sintomas presentes, revelando, assim, a realidade do ser humano como um ser histórico, relacional e sensível. Nada acontece por acaso. No entanto, a tendência filosófica atual inclina-se por ignorar tais fatos com a alegação de que a história acabou. O que ficaria são os resultados e a eficácia. O poder pelo poder.
Porém, diante deste quadro sinistro, podemos dizer com toda a certeza que os valores não morreram. Eles estão aí, mais misturados do que nunca na cabeça das pessoas. Pais que matam filhos, filhos que matam pais, ao contrário do que se diz, não têm a cabeça vazia. Eles têm é a cabeça cheia demais; cheia de valores confusos e que eles mesmos desconhecem.
Ainda acerca da importância dos valores, eu gostaria de fazer uma rápida reflexão sobre três aspectos abrangendo os seguintes temas: valores contraditórios, liderança de valor, pessoas de valor. Serão apenas sementes lançadas, pois o assunto é amplo e merece uma atenção maior. Isso fica por sua conta.

Valores contraditórios
Não dá para entender. Enquanto muita gente reclama da exploração da vulgaridade nos programas televisivos - como no caso da polêmica “dança do poste” na novela Duas Caras, da Rede Globo – outras pessoas (ou até as mesmas) aplaudem a iniciativa do autor. Elas alegam que a novela fez bem em tratar do assunto com naturalidade, o que ajudaria a reduzir o preconceito contra pessoas, que como quaisquer outras, estão apenas trabalhando. A questão aqui nem é propriamente moralista, mas lógica: a mesma sociedade que recrimina o machismo e que sonha com o amor perfeito bate palmas para a vinculação de conceitos que apóiam a visão da mulher como objeto.

Liderança de valor
Acusar o capitalismo de todos os males é fácil. Difícil é arranjar uma idéia melhor. O grande problema desse sistema de governo é a ênfase ao consumismo que ele propõe. E o medo que desperta: “se eu não garantir o meu hoje, alguém vai me passar a perna amanhã”. Mas tudo seria melhor se houvesse uma consciência de que todos são importantes no sistema. É só um caso de justiça. Vejamos um exemplo tirado do livro A fome no mundo explicada a meu filho, de Jean Ziegler e lançado pela editora Vozes. Burkina Faso, um país do oeste africano, estava arrasada financeiramente, enfrentava graves secas e improdutividade da terra, além de levar o fardo de um funcionalismo público parasitário. Com a ascensão do governo popular muito foi feito para reverter parte desta situação, mas o líder Sankara acabou sendo assassinado, pois as suas medidas populares não agradaram nem a países vizinhos nem às antigas metrópoles neocoloniais.

Pessoas de valor
Primeiro saibamos quais são os nossos valores. Depois, se eles são realmente “valorosos”. A partir daí, desenvolvamos a habilidade de plantar a verdade em tudo que fazemos. Na revista Istoé deste mês, a reportagem de capa trata da questão da solidariedade e de como ela é inerente ao ser humano. E não só a alma e o coração estão envolvidos neste “empreendimento”, mas também o corpo com todas as suas atividades. Fazer o bem faz bem. Por isso, creio que não dá para dividir vida profissional da pessoal (digo, radicalmente) etc, pois tudo deve convergir para uma verdade: o nosso valor.

Quem há de ir por nós?

Você seria um desbravador de caminhos?
Aquele que defende uma idéia absurda e inovadora pela qual ninguém arriscaria a pele?
Você lutaria contra as injustiças da estrutura social que nós mesmos construímos?
Qual seria o seu limite?


Teia de aranha

Em todos os lugares

Nos ares
Nos lares
Nas paredes
Nas redes.

Lá elas estão.
Pelo corrimão
No chão
Na mão.

Até em meio à ferrugem
de uma velha cerca
Até em meio ao lugar
que ninguém deseja.

Nenhum passarinho colocaria seu ninho
Nenhum homem colocaria sua sorte
Nem mesmo as plantas passariam por ela
Passarela.

É ela!
Que coragem!
Que ousadia!

Fazer o que ninguém fez
Ir aonde ninguém foi
Enfrentar o desconhecido,
Como desbravador.

Pois ninguém sabe de tudo
mas o Tudo sabe de nós
E quer nos usar para construir
além dos limites da vida,
além dos limites do pensamento
Um caminho de partida.

Oh, teia
desteia a teia
Oh, rola
desenrola o pano.

E verás

Verás que ela não está mais lá
Mas seu rastro ainda permanece
E por onde ninguém mais havia
Hoje, um pardal passeia.

(Giuliana Azevedo)

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Qual é o valor * do Natal para você?



Recebi um e-mail, ontem, que veio renovar o significado do Natal para mim. De fato, este dia não me parecia muito diferente dos de mais, apesar da minha forte fé cristã e convicção de que o Natal vai muito além das tradicionais reuniões de família, recebimento de presentes e comilança. Este e-mail do Gilberlei , que creio ser um dos líderes do Movimento Alfa e Ômega, – movimento de mobilização evangelística dentro das universidades – revela uma verdade incrível: Deus desceu! Um trecho:

“Ah, se tu rompesses os céus e descesses! Os montes tremeriam diante de ti!
Como quando o fogo acende os gravetos e faz a água ferver, desce para
que os teus inimigos conheçam o teu nome e as nações
tremam diante de ti!” [Isaías 64:1,2]
Eu oro para que esta noite seja marcada não pelas luzes dos pisca-piscas, nem pelo esplendor das árvores natalinas, tampouco pelo “intruso” Papai Noel, mas sim pela celebração de um dos mais dramáticos eventos em todo o Universo: a mudança de Deus para o nosso planeta. Ele veio morar entre nós.
Que também nesta noite não nos esqueçamos do que motivou o coração de Deus a uma ação tão extrema: “Deus amou o mundo de tal maneira...”.

Então, como é possível comemorar esta data sem a verdadeira revelação de que existe um Deus que deixou a sua honra pela disposição de se identificar e conhecer as nossas fraquezas , e não só conhecê-las - porque isto grandes líderes como Gandhi, por exemplo, já fizeram – mas vir em forma humana para vencer cada uma delas por nós? Sem esse espírito, o Natal vira somente um pretexto para reafirmações eternas de paz e comunhão que não ganham espaço no resto do ano (vide comemorações de Natal em intervalos de guerra como ocorreu na 2ª Guerra Mundial e em território iraquiano pelos soldados americanos que ainda estão lá). Ou um momento de declarar os sermões de um profeta que sabia o que era se doar ao próximo, mas que permanecem apenas em nosso imaginário.
Por fim, deixo a letra “I need you to survive”, do famoso cantor norte-americano Kirk Franklin, que para mim, representa claramente o valor do simbolismo natalino.

I need you [ Eu preciso de você]
you need me [ você precisa de mim]
we're all apart of God's body [ somos todos parte do corpo de Deus]
stand with me agree with me [ suporta comigo, concorda comigo]
we're all apart of God's body [ somos todos parte do corpo de Deus]

It is His will that [ É pela vontade dele que]
every need be supplied [toda necessidade é suprida]
You are important to me [ Você é importante pra mim]
I need you to survive [ eu preciso de você para sobreviver]

I'll pray for you [ Eu vou orar por você]
You pray for me [ você ora por mim]
I love you [ eu te amo]
I need you to survive [ eu preciso de você para sobreviver]
I won't harm You [ eu não vou te machucar]
With words from my mouth [ com palavras que saem da minha boca]
I love You [ eu te amo]
I need you to survive [ eu preciso de você para sobreviver]

* valor: conceito enfatizado por um indivíduo para regência de sua vida.




terça-feira, 7 de outubro de 2008

Baby, when the lights go out...


Maricá, 2 de outubro de 2008. 18:46.

Para escrever esta crônica, uso a caneta mais comum do mundo e não uma pena, como se fazia à moda antiga. E para dar uma força na inspiração, acrescento: breu, luz de velas e fundo musical com o melhor da roça. É, gente da cidade, eu falo de grilos, sapos e cigarras.
Não vou dizer que ficar no meio do mato, sozinha e sem luz elétrica por mais de seis horas seja interessante. Não, normalmente. Mas hoje não é um dia normal (ou é? Em Maricá, né...).
Uma vela já se apagou. Tenho que ser breve.
Pois bem. O que eu quero dizer é: o que era para ser um estorvo, acabou se tornando uma experiência até consoladora, eu diria. A verdade é que no nosso dia-a-dia somos acometidos por diversas aflições a respeito de decisões a serem tomadas, atividades estressantes que precisamos cumprir ou situações onde somos “persuadidos” a abrir mão de uma vontade momentânea por conta de uma obrigação urgente (uma resenha da faculdade?).
Agora, a segunda vela apagou. Já vou pegar a lanterna. Quando você chegar ao final do texto não vá pensar que eu não gosto de tecnologia. É só lembrar da lanterna.
Continuando. Ah. E quando falta luz? Não dá para usar o computador, ouvir música no stereo ou assistir a um DVD. Mas, também, não é possível sermos atropelados pelos inúmeros compromissos das nossas agendas.
Neste momento, então, eu pude escrever para o blog; algo que eu queria fazer há um mês e não conseguia por falta de tempo. Bom, é tudo uma questão de organização (“ninguém planeja falhar, porém muitos falham porque não planejam”, by pastor Charles), mas têm horas em que precisamos de um milagre. Milagre pra ver que Deus sempre provê circunstâncias pelas quais relembramos como é bom fazer o que se gosta.
Será preciso um apagão para revivermos tempos nos quais cada minuto é precioso e merece ser bem vivido ?



O sapo coaxa. O grilo cricrila. E a cigarra canta.
Só por curiosidade.


19:14. E só restou uma vela.